Se o próprio universo segue em seu inexorável balé de transformação,
Por que logo tu, minúsculo ser
Na crosta de um mundo entre inúmeros,
Haverias de lamentar pelas reminiscências
Do tempo que passou?
Não é preciso que voltes teus olhos ao universo,
Eis que a mudança corre a teu lado,
Corre dentro e fora de ti:
Teu corpo envelhece,
Por que teus relacionamentos não haveriam de se transformar?
E por que lamentar-lhes a transformação?
Aceita de bom grado a mudança,
Recebe-a de bom grado e braços abertos,
Não sabes tu, criança do tempo,
O quão esplendorosos desígnios divinos te aguardam.
Aceita, pois, e não retardes a oportunidade pelo Pai tão generosamente concedida
Ele conhece o que é para teu bem.
Não se constrói o novo sobre estruturas antigas.
A mudança é necessária, a fim de ceder espaço a que o novo possa surgir.
Ledo engano creres ainda que, sepultado com teus pertences, com eles partirás para a nova vida.
Tua nova vida é nua. E assim deve ser.
Despoja-te, pois, em vida
Das vestes velhas que um dia te serviram,
Das tantas outras vestes que antes te serviram em Samsara,
E assume tua forma nua.
É a única coisa que tens.
É a única coisa que és.
Hare, Lord Shiva!

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